Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Digo-o tantas vezes, sempre e cada vez mais, com a maior das convicções para além de tudo o que é tangível. "O meu pai é o melhor do mundo." A melhor amiga sabe-o de cor e repete-o comigo, a colega do lado acena com a cabeça. O meu pai é o melhor pai do mundo. O primeiro a descobrir-me o gosto pelo ares, ainda lhe cabia na palma da mão, e não esqueço. A minha primeira palavra foi papá, e ele nunca chamou filha a mais ninguém. Ensinou-me tanto, o meu pai, continua a ensinar-me todos os dias. O pai que me deu tudo, até uma (única) palmada, por ser tão igual a ele. O pai que me levava a ver os treinos, a passear na areia ou no pinhal. De quem herdei a cara, os olhos, o cabelo, a rectidão, o mau-feitio, a intempestividade, a paciência, a curiosidade, as bochechas, o gosto pelas ciências, o gosto pela escrita, as asas, os passeios sem planos nem destino, o olhar fotográfico, os traços no desenho. A bem ver, quase tudo o que sou herdei do meu Pai.


Pai brincalhão, que me partiu a cabeça com um ataque de cócegas, que largou o único vício porque lhe pedi tanto, que respeitou todas as minhas escolhas, que é o primeiro a ajudar quando nem eu sei que preciso de ajuda, que cala se as palavras me magoam, que vai a correr se estou aflita, que não questiona quando lê os meus olhos.


Dia do Pai é todos os dias, porque todos os dias todo este Amor maior está presente, seja como for.


 


O meu pai é o melhor do mundo.