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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Que não haja sombra de dúvidas: o mais querido e especial dos homens é o meu, é o meu tudo, o Grande Amor da minha Vida. Entendemo-nos lindamente e raramente temos uma zanga ou discussão. E, quando as há, o motivo é, invariavelmente, um: a desarrumação. O tipo é desarrumado, desorganizado e desleixado à quinta casa. E eu sou um tudo-nada obsessiva-compulsiva com as limpezas e arrumações. Mas também sou defensora acérrima da divisão equitativa das tarefas domésticas. Portanto, nada de fazer o que lhe compete a ele só para evitar gigantes crises de nervios. Respiro fundo, conto até 100 e penso em azul, aponto-lhe calma e delicadamente as tarefas que está a negligenciar, uma e outra e outra vez. E depois lá virá uma vez em que não consigo contar nem até três e estala-me o verniz, e fico com a crise de nervios, e ele bufa e resmunga e lá vai fazendo uma parte (porque fica sempre qualquer coisa no esquecimento!) e eu evito fazer as fitas que ouvimos nos vizinhos do lado (tenho de arranjar tempo para vos vir relatar, que é melhor que novela mexicana).

 

Somos uns privilegiados, porque temos ajuda uma vez por semana, não temos de nos preocupar com passar a roupa a ferro e uma parte das refeições. E tudo o resto será muito mais fácil se arrumarmos depois de usarmos, se limparmos depois de sujarmos, o óbvio e básico - para mim e para vocês. Mas para o homem está difícil de entender...

 

Sabem aquelas mulheres que dizem que é melhor os maridos não fazerem isto ou aquilo porque não têm jeito nenhum, e ainda deixam pior do que estava? Aqui essa conversa não pega. Isso é o que eles querem ouvir, estimadas leitoras! Assim, vão sempre agarrar-se a esse argumento e passam a vida toda sem mexer uma palha! Eu acho precisamente o oposto. Se não sabe fazer, entra em fase de estágio e vai fazer quantas vezes for possível para aperfeiçoar a técnica. De modos que o eterno estagiário já domina certas competências, outras ainda estão numa fase muito rudimentar, mas o problema maior parece ser a epidemia que afectou personagens como Cavaco SilvaZeinal Bava, Pedro Passos Coelho, Vítor ConstâncioHenrique Granadeiro ou Ricardo Salgado: a fraqueza da memória.

 

Um flagelo, a amnésia selectiva! Vejam bem que, sem a minha voz a lembrar docemente que "dá o mesmo trabalho levar a loiça suja da sala e colocar em cima da mesa da cozinha ou colocar na máquina de lavar", que "não são necessários 10 pares de sapatos à porta, podem bem estar dentro do armário" e outras coisas parecidas, estes pormenores escapulem-se da cabeça do gajo.

 

Ao contrário do que é normal, o homem hoje saiu de casa 2 horas depois de mim e eu cheguei muito antes dele. Contava, portanto, encontrar a casa minimamente arrumada. Em vez disso, encontrei:



    • o toalhão de banho dele enrolado em cima da cama;

 

    • roupa suja dele na mesa-de-cabeceira (o quê, não é o melhor sítio para a colocar?!)

 

    • a roupa passada que pedi para ele pendurar no roupeiro, exactamente no mesmo sítio;

 

    • um rasto de migalhas na cozinha (tábua de corte e faca de pão onde? em cima da mesa, claro);

 

    • um pacote vazio de manteiga e respectiva faca suja em cima do balcão;

 

    • o saco do pão aberto, com um naco de broa de milho (de que ele não gosta) a enrijecer para mim;

 

    • loiça suja espalhada entre o lava-loiças e a mesa da cozinha;

 

    • o resto do jantar no frigorífico... dentro da panela... destapada.



Por isso, e porque amo muito o meu homem, vim descarregar um bocadinho para o blogue e vou já de seguida dedicar-me à cozinha, a pensar nele. :)

 

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