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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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As diferenças são muitas e nítidas. Sem ti acordo à mesma a pensar em ti, venho do sonho onde ainda te posso ver e vou para cada novo dia como se fosse para o cadafalso, onde tu não estás. Acordo com um esboço de sorriso e assim que percebo que as facas penduradas no tecto roçam-me os ombros com apenas memórias e nada mais, o sorriso dá lugar a um esgar de solidão. Nunca fui tão infeliz, se queres saber. Sem ti, preparo-me todos os dias para poder encontrar-te e o céu mudar. Disfarço as olheiras, ponho o mais doce perfume e a melhor lingerie. O meu coração pula quando a campainha toca, num misto de pânico e esperança que sejas tu. Ou quando vejo na rua alguém com semelhanças contigo, ou de cada vez que passo perto da tua porta. Sem ti sonho menos com o futuro e mais com o passado. Durmo mais, muito mais. Não tenho com quem deitar conversa fora até às 2 a.m. em school nights, já ninguém me recomenda filmes e notícias de jornal. Sem ti tenho pouca vontade de fazer planos, ou de ser espontânea. Sem ti, a lua continua a pedir para ser fotografada, mas eu já não to digo. Todas as canções são lamentos. Já vou tentando dormir no outro lado da cama, o que reservei só para ti. Já não questiono os porquês e termino sempre com pontos finais. Quando fecho os olhos estás lá, e quando os abro tenho vontade de correr para ti. Sem ti é mais difícil rir, porque mais ninguém tem as tuas piadas. Sem ti tenho as mesmas saudades tuas que tinha contigo, mas doem noutros sítios que eu desconhecia existirem. E ninguém me magoa como tu magoavas. Ainda não passou um dia em que conseguisse não derramar lágrimas impulsivas. Sem ti, não muda nada. Só a tua ausência em mim.


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