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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Quis a minha agenda social, com picos muito altos e vales de marasmo profundo, em alternância pouco homogénea, que ontem tentasse fazer caber "o Rossio na Rua da Betesga", que é como quem diz, em 16 horas úteis conseguir produzir reflexões originais para botar na caixinha das filosofias (isto ontem, como hoje, excepcionalmente, é trabalho), atravessar o Tejo sobre 4 rodas, ir ver um filme de piratas, comer qualquer coisa, rumar aos subúrbios para testemunhar jovens talentos teatrais incipientes, enveredar pelos antros de consumo que normalmente abomino e tomar muitas decisões (com o propósito único de encontrar o presente perfeito para o Dia da Mãe - eu sei, eu sei...), voltar a atravessar o Tejo e encontrar-me com amigos que festejam um ano desde o último festejo similar. Exacto, é demasiado, até mesmo (e sobretudo) para caber tudo numa só frase. Claro que não consegui. O trânsito nunca colabora nos dias mais preenchidos, o filme já tinha começado, o tempo encolhe e... não deu. Cumpri parte dos planos que tinha, o que já foi bastante positivo.

Mas não era nada destas angústias, que só o são porque há dias que bem podiam ter 50 horas (só para não ser 48), que queria falar/escrever.A bem da verdade, quero dizer ao mundo que ontem fui surpreendida. Quero dizer ao mundo que recuperei um pouco a fé na natureza humana, essa mesma que perco um pouco todos os dias. E nem sequer foi preciso nenhum acto heróico de abnegação extraordinária, de altruísmo comovente. Muito mais simples. (As melhores coisas da vida são as mais simples, não é?) Decidi jantar num sítio diferente. Pasmem-se as almas, era fast food e foi absolutamente excelente, sob todos os aspectos. Mesmo, genuinamente, excelente. A comida diferente (grega, por sinal), de temperos aromáticos e sãos, regada com uma simpatia transbordante, um inequívoco bem-querer, um cuidado incomum no trato. A gentileza tomou forma de pessoa num corpo masculino de meia idade, de tez dourada (origem grega, estou a supor) e cabelos grisalhos. É tão raro nestes dias ter um atendimento ao balcão que nos faz sentir gente. Ali fomos tratados como velhos amigos, sem nunca antes nos termos visto.

Como não posso mandar nos destinos dos homens (e sou arrogante o suficiente para achar que gostaria de ter esse poder), não posso enviar este senhor directamente para o reino dos puros de coração magnânime, o Céu para quem for de catolicismos, nem vou detalhar as pequenas surpresas deliciosas para a alma com que me presenteou, não vão todos quantos lêem este blog (e serão, praí, uns 2...) esperar do simpaticíssimo grego tratamento similar. Mas o que posso fazer é partilhar a experiência, recomendá-la a quem mo permita. Pois cá está a rota: Saldanha Residence (Lisboa), descer as escadas e logo atrás do piano: ARIES. Vale a pena.





O vento anda, corre e voa!

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