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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

A Sónia roubou-me o post. Ou melhor, a ideia que andava na minha cabeça quase todos os sábados e acabou por nunca sair.


Acontece que é tudo verdade. Tudo, menos a parte de só velhotas andarem na hidroginástica. As nossas aulas (o homem também frequenta) tem bastantes "velhinhas" (maiores de 60), mas também tem alguns menores de 40 e até uma ou duas teenagers. O leque de idades deve andar entre os 16 e os 90. Na verdade também não se trata de uma classe de hidroginástica, mas sim de hidromix (quando descobrir a diferença digo-vos).


O mais engraçado é que eu consigo a proeza do 3 em 1: sou em simultâneo a bem comportada, a tímida na fila de trás e a snob que não gosta de despir-se em frente às outras. Só não sou velhota!


Mas vinha cá mesmo era contar-vos a "true story" mais engraçada da piscina. Deu-se na semana passada. Depois de levarmos uma tareia na aula (a professora estava possuída!), já após os duches, estava uma pessoa a falar da Páscoa, com a inevitável conversa das amêndoas e tal, a dizer que só gostava das mais baratas, as amêndoas francesas, que gostava de as trincar, blabla.


A anciã da turma (uma jovem com perto de 90 anos) sai-se com a seguinte pérola: "ai eu também. Nem é só com as amêndoas, é com tudo o que vem à boca. Não tenho paciência para chupar, gosto é de trincar, que ainda tenho os dentes todos." As outras mais novas a gozarem o prato, a senhora a continuar a falar, na sua inocência (acho eu!), e eu... Bom... Escusado será dizer que esta vossa amiga teve um ataque de riso tal que teve de fugir rapidamente dos balneários para conseguir respirar.



 

O cineasta português falecido em Abril, com 106 anos, deixou uma obra extensa e aplaudida a nível mundial (sobretudo por quem nunca aguentou um filme dele até ao fim). Convenhamos, goste-se ou não, a sua assinatura de marca passa pela pouca, poucochinha, vagarosa acção e cenas longas, muito longas e paradas. Tal e qual as filas na caixa do Pingo Doce. Sobretudo as que têm como protagonistas personagens da altura do Aniki Bobó.



Explico: acabei de assistir a uma cena digna de um filme de Manoel de Oliveira ao vivo e a cores, e uma cujo argumento vejo vezes sem conta, mudam só os personagens e os detalhes do cenário. Velhinhas com a maior calma do mundo, a contar todas as moedas que têm na carteira antes de entregar algumas para pagar as suas compras, que já foram registadas e aguardam lânguidamente no pequeno balcão da caixa do supermercado. Estas velhinhas frequentemente arrastam carrinhos e troleys de compras, só começam a arrumar os artigos quando já o cliente seguinte está a pagar. Curiosamente, estas velhinhas gostam de frequentar os super e hipermercados na hora de maior afluência. Se querem testemunhar com os vossos olhos estes fragmentos cinematográficos em jeito de ode ao Manoel de Oliveira, recomendo particularmente o Pingo Doce do Cais do Sodré, que é provavelmente o mais estreito e confuso de todas as lojas Pingo Doce (para quem não conhece, é uma experiência sociológica imperdível), sobretudo a partir das 19:00.