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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Vai haver um dia em que nos cruzaremos na rua, sabes? Com as avenidas a fecharem-se e os ecos expectantes de olhos postos em nós. Tu vais um passo à frente da outra versão doutra mulher (sempre de fuga em fuga, porque foges tu da verdade que os reflexos devolvem?) e os teus olhos vão cair sobre as mãos que já foram tuas para sempre, e as mãos que nunca te tiveram estarão nuas e entregues como não podia entregar-tas, entregues noutras mãos que as seguram e procuram porque as querem e não porque precisam, não para sempre mas nesse dia, que é muito mais do que o para sempre ilusório e inconcretizável, e no dia antes e nos dias todos que se seguem. E os teus olhos ficam caídos, sem mão nenhuma a ampará-los, e os meus olhos sorriem-te, como a um rosto familiar que no primeiro instante não se localiza nos arquivos das tristezas, e tornam a sorrir-te quando te reconhecem, porque há muito que não choram pelas tuas dores ou pela falta de ti.


 


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