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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem


 


Ver-te ao longe, como se me tivessem oferecido um presente envenenado. A não-reacção, os pés paralisados e a cabeça desligada do resto do mundo; o não poder gritar e fugir para a outra realidade, a alternativa que criei, onde tu não tens lugar, onde não conheço o sabor dos teus beijos, o teu cheiro, onde não oiço os teus pensamentos a ecoar, estridentes, na minha cabeça. Nessa realidade não dói saber que não sou eu que te faço sorrir, não há lugar para memórias tristes, não há a secreta vontade que me vejas também, a sorrir para o meu par, que sorri de volta e me fecha na palma da mão o sorriso terno e tolo dos apaixonados.


Por que caminhos caminhei, que não consigo encontrar o caminho de volta? Descurei a precaução, e o coração fugiu a galope para longe das minhas rédeas... Não posso desejar que nunca tivesse acontecido, não me arrependo, porque foi - sabes bem – genuíno, em cada momento. Mas desejo, e como desejo!, voltar a ser quem Eu era antes de ter baixado as armas e ter deixado entrar a tua luz. O tempo incomoda e pica e arranha, como uma camisola de lã que não se consegue nunca despir, o querer retroceder e não encontrar a mudança, o saber que nunca o que foi tornará a ser e, também, que todos os blocos de gelo derretem. Está na hora de voltar a página e celebrar o amanhã. 

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