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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Virada para dentro, como sempre tinha sido a minha postura aqui, só o via a ele. E a mim, com ele, sem ele. Ele, na presença e na ausência. E decidi deixar de falar com ele por estas linhas, ou fingir, porque é sempre ele que me sabe ouvir e ler nas entrelinhas, mesmo se não o chamo à acção. Voltei-me para fora, para lhe virar as costas. Vou espreitando por cima do ombro, porque sei que ele lá está, que ainda lá está, que sempre estará. Onde estiver eu, estará a presença dele, e a ausência, maior e mais sentida. E assim vou-me virando para fora, voltando as costas também a mim, a uma parte incontornável de mim. E vou fingindo que não quero saber, vou fingindo que não me pesa, fingindo que não me afecta ele perguntar por mim. E se preciso for virar-me do avesso, eu viro. Se é a fugir que deixo longe a tristeza e um coração inerte, continuarei a fugir, para além do horizonte.


 


 


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