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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Gosto de ti, vás por onde fores. Não gostei de todas as consequências e atitudes. Mas de ti, gosto, gostarei sempre. De quem és, das decisões que tomas, mesmo as que não compreendo, porque acho que tenho uma explicação para tudo e que tu é que ainda não descobriste o que eu vi desde o primeiro olhar. Adorei cada palavra com que desdisseste as outras, que me magoam. Adorei cada gesto, cada erro, cada sedução. Adoro ser uma tentação para ti, e um refúgio, e um conforto, e um abrigo onde podes ser quem és. Porque gosto tanto, tanto, de ti não sei.

O que tenho de ti é a saudade do futuro que nunca foi. É a paixão a crepitar sem esmorecer, é um gostar tanto, tão grande e tão simples. Tenho memórias dos bons momentos e lamentos de não terem estado à altura dum amor que devia ser correspondido, que devia ultrapassar-se a si e aos limites do universo. Lamento a tua ausência e fazes-me falta em cada passo. Tanta falta...

Tenho ressentimento de nunca ter tido oportunidade de ser eu própria apaixonada por ti como por um rapaz qualquer (e tu nunca foste um rapaz qualquer), de nunca termos pulado ou trocado mimos, de nunca te ter dito “Amo-te” com sorrisos e beijos.

Seria mais fácil o fim duma relação convencional, onde as realidades já se conhecem e estão cansadas, onde já foram exploradas vertentes e esgotados caminhos. Perder um amigo dói demais. Sem razão, pior ainda. E tu foste muito mais do que um amigo ou amante, não preciso explicar. É mais fácil um fim no final do que antes do começo. Assim, não há cacos para apanhar, não há uma estrada que desemboca em nenhures, não há um livro escrito de onde se guardam só as páginas boas. Não há nada senão hipóteses que morreram no ar e deixaram o travo a ternura, caminhos encerrados antes do primeiro passo, depois de sabermos gostar tanto de caminhar lado a lado. Promessas de sonhos ceifadas pela raiz.

Odeio finais abertos. Sobretudo antes do começo. De ti, gosto, vás por onde fores.

 

 

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